Ambiente de trabalho oportuniza amadurecimento social e profissional aos portadores de Síndrome de Down

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Rede Manentti fortalece a inclusão social entre os profissionais

No Dia Internacional do Portador de Síndrome de Down (21 de março), pais falam o quanto a inserção no mercado de trabalho faz bem aos filhos

 

Portador de Síndrome de Down, Maxuel Silva Roldão teve dificuldades, na infância e adolescência, para se adaptar ao ensino regular. Ele fugia, se pendurava nas cortinas, era agressivo. “Ninguém sabe o quanto nós sofríamos com isso. Cada vez que alguém da escola ligava, eu chorava em casa, ficava triste com a situação. Eu só queria que ele estudasse, que frequentasse a escola como qualquer outra pessoa da mesma idade”, afirma a mãe, Maria Marlene Silva Roldão.

 

Foi então que, após muito pensar, a família decidiu matriculá-lo em uma instituição profissionalizante. “Ele seria preparado para o mercado de trabalho, mas eu não queria isso para o futuro. Tinha receio por conta dos atritos que ele teve enquanto estudava, resisti o máximo que deu, mas acabaram me convencendo. Depois de alguns anos de preparação, o Max estava apto a trabalhar”, comenta Maria Marlene. Em novembro de 2013, então, o jovem adentrou ao quadro de profissionais da rede de Supermercados Manentti, na loja da Próspera, para atuar como empacotador.

 

Para surpresa da família, ele se adaptou muito bem à equipe e às normas da empresa. “A partir daí o Max passou a aceitar limites, ficou bem menos agressivo. Hoje ele chega em casa, ajuda nas tarefas domésticas, é outra pessoa. Quem acompanhou as dificuldades que passamos sabe o quão grande foi a superação do meu filho”, conta ela, ao lembrar que “dois anos antes de o Max começar a trabalhar nos Supermercados Manentti, ele teve um AVC. Tinha sérias dificuldades em se locomover, mas o trabalho e a atenção recebida acabaram funcionando como uma fisioterapia. Hoje ele superou o problema. Meu filho é um vencedor”, enfatiza a mãe.

 

“Depois de ser efetivado ele amadureceu, mudou completamente”, diz pai

 

Assim como Maria Marlene, Alcides Fontana também credita ao trabalho a mudança de comportamento da filha Larissa Zanoni Fontana, 20 anos. Portadora de Down, ela atua há pouco mais de dois anos nos Supermercados Manentti do bairro Mina União, em Criciúma. De acordo com ele, a partir do momento em que a filha começou a trabalhar fora, ela aprendeu a se organizar mais, a cumprir horários e passou a realizar algumas tarefas domésticas. “Agora ela chega, almoça e vai direto lavar a louça”, explana o pai, dizendo que “a Larissa mesmo se arruma de manhã, penteia os cabelos, é vaidosa que só! Se não tiver espelho no quarto, ela fica brava”, conta ele, orgulhoso.

 

Colega de trabalho de Larissa, Celso Antonio Spillere, 25 anos, também executa com maestria o trabalho de empacotador no Manentti do Rio Maina. Para o pai, Celso Spillere, ver o filho trabalhando com tanta determinação e vontade é motivo de orgulho e, de certa forma, de surpresa. “Eu não imaginei que ele gostaria de trabalhar porque sempre foi um menino tímido que não saía de casa, tinha medo de ir na rua, de pegar ônibus sozinho. Depois de ser efetivado, mudou completamente, é outra pessoa, amadureceu de uma forma surpreendente”, avalia o pai.

 

Fortalecendo a inclusão social

 

Conforme a gerente de Recursos Humanos da rede de Supermercados Manentti, Debora Eufrásio, geralmente os portadores de Síndrome de Down chegam tímidos, mas aos poucos vão ganhando confiança, tanto dos colegas quanto dos clientes. “É incrível, porque eles são esforçados, responsáveis e pontuais. Quando os contratamos, há quase três anos, tivemos uma grata surpresa. Além dos consumidores, os nossos profissionais também os acolheram de uma forma calorosa, e hoje se preocupam, cuidam deles”, enfatiza Debora.

 

De acordo com ela, por ser uma rede de vizinhança que visa fortalecer a economia dos bairros onde está inserida, o Manentti atua em três áreas importantes: gestão administrativa, gestão de pessoas e gestão social. “Estamos felizes com os resultados obtidos, porém continuamos buscando fortalecer esta ação que trata da inclusão social. Temos uma política que vai além do atendimento legal. À medida que acolhemos o profissional especial, dando-lhe toda atenção que o caso requer, preparamos os demais profissionais para que os acolham e deem o suporte necessário”, complementa.

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